segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Compreendendo a personalidade passivo-agressiva

Podemos nos referir ao comportamento passivo agressivo como um transtorno da personalidade (TPPA), que também é chamado de transtorno da personalidade negativista. A pessoa demonstra modos de se comportar rígidos ou inflexíveis, bem como dificuldade de adaptação nos ambientes sociais e profissionais. Para caracterizar esta personalidade pensemos em alguém negativista, mal humorado, oponente e/ ou ineficiente deliberadamente às tarefas que lhe são solicitadas, principalmente por figuras de autoridade, vindo à  procrastinar ou literalmente não realizar estas tarefas, não assumindo a responsabilidade por não tê-las feito, além de descumprir regras intencionalmente. É alguém propenso à discussão e a fazer críticas irracionais aos seus superiores, além de aparentar mal humor, azedume e raiva constantes.

Nós psicólogos, dizemos que o perfil cognitivo do paciente com TPPA envolve crenças que sugerem negativismo, ambivalência, resistência e forte relutância em satisfazer as demandas externas, destacando-se sua intensa necessidade de manter sua autonomia/ liberdade, por outro lado esta pessoa quer intensamente alguém para protegê-lo, cuidar dele e viver feliz.

Devido às próprias características do quadro de TPPA de se vitimizarem, se sentirem incompreendidos ou desvalorizados pelos demais, bem como justificar suas ineficiências culpando o meio, dificilmente irão categorizar suas atitudes como problemáticas, e devido seus comportamentos interferirem diretamente no relacionamento com outras pessoas, causando-lhes tensão e prejuízos, buscam ajuda devido às reclamações externas.
Contudo, quem está lendo esta matéria poderá ter uma noção das características deste transtorno, a partir desta lista de comportamentos proposta pelo DSM IV TR. A pessoa com TPPA:

1)    Resiste passivamente a cumprir rotinas sociais e tarefas ocupacionais
2)    Queixa-se de ser mal compreendido e não apreciado pelos outros
3)    É taciturno e propenso a discussões
4)    Critica e despreza a autoridade irracionalmente
5)    Expressa inveja e ressentimento a pessoas aparentemente mais afortunadas
6)    Queixas exageradas e persistentes de infortúnio pessoal
7)    Alterna desafio hostil com contrição

Sem dúvida alguma, essas pessoas sofrem prejuízos tanto na área profissional como pessoal/ social. Um ser humano que não obedece regras deliberadamente, opõe-se à realização de tarefas, envolve-se facilmente em discussões, sente-se incompreendido e desvalorizado pelos demais, dificilmente terá relacionamentos duradouros ou se manterão em algum emprego, visto que no trabalho essas pessoas atrapalham o funcionamento da equipe, por não cumprirem prazos ou deixarem de seguir ordens intencionalmente e terminam por causar problemas com os outros funcionários. 


Em sua vida social e afetiva as consequências negativas também não são diferentes das do campo profissional, pois seus comportamentos geram frustração nas pessoas com as quais convive, pois sua rigidez, inflexibilidade, falta de compromisso, estilo interpessoal presunçoso, inconsistente, mal humorado e opositor lhes tornam alguém de difícil convivência.

Vale destacar que do ponto de vista pessoal, o TPPA também se desgasta emocionalmente, pois sofre consideravelmente por nunca sentir-se pleno e satisfeito, devido ao paradoxo de suas crenças e comportamentos, que vão da dependência de cuidados à necessidade de autonomia e liberdade. Outra característica desvantajosa na vida do TPPA é sua negatividade e seu padrão autoderrotista.
 
Os tratamentos são realizados através de psicoterapia e medicação, prescrita por psiquiatra, quando necessário, visto que alguns casos de paciente com TPPA apresentam comorbidades, como quadro depressivo, ansioso ou outro.

Através da psicoterapia de abordagem Cognitiva Comportamental (TCC), a intervenção se dá com a identificação de crenças e pensamentos automáticos distorcidos relacionados aos comportamentos mal adaptados socialmente e à expressão inadequada da raiva. O objetivo é modificar as emoções e o comportamento a partir da alteração das crenças irracionais para crenças mais realistas e funcionais.

Dentro do processo psicoterapêutico também se faz intervenções específicas, exemplos: Treinamento assertivo, automonitoramento e outros monitoramentos, treinamento de habilidades sociais e comunicação, além de manejo da raiva.

Vale destacar que familiares e pessoas muito próximas da pessoa com TPPA também recebem orientações a respeito de como lidar com ele e de como poderão auxiliá-lo em seu tratamento no dia a dia. 

A psicoterapia ajuda o paciente com TPPA a desenvolver uma percepção mais ampla do seu funcionamento pessoal e interpessoal, bem como aprender novas estratégias de solução de problemas em áreas onde experimenta conflitos e obter satisfação emocional, tudo isso através de mudanças significativas na forma de pensar, sentir e se comportar, porém antes do processo de alta terapêutica pode-se criar uma lista das situações potencialmente ativadoras dos antigos esquemas deste paciente, de forma que se previna em ocasiões futuras. Isso significa que ele terá que praticar as ferramentas aprendidas em terapia para que continue mantendo seu progresso. 

Forte abraço!

Psicóloga Clínica Carla Presutti
Especialista em Terapia Cognitiva e Comportamental pela Usp
Idealizadora do EMAGRECENDO COM A CABEÇA

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